Distrito de Viseu – Interior – Onde Portugal sorri!
O interior é o escape, o ponto de fuga, o berço de fim-de-semana de inúmeros casais e jovens. De facto é bem no interior que se guardam e escondem a cada esquina sensações, recordam emoções e se vivem e realizam paixões… O turismo de natureza / rural confronta-nos com uma realidade por desflorar e mais que muitos recantos á espera que cada um os vá descobrir. São variadíssimos os pontos do interior do país, por onde o tempo não ousou passar, onde a junta de bois continua à porta, sob uma estrada em paralelo e os enchidos no fumeiro, a casa de pedra ou xisto, encontra-se só, no meio de tantas outras desabitadas e isoladas no meio do prado, da serra, ou simplesmente isolada no silêncio interrompido pelo chilrear dos pardais e o cantarolar dos grilos. É este o interior conhecido por muitos, o interior de fim-de-semana.
O distrito de Viseu, como distrito considerado do interior do país, tem desde logo uma particularidade única, é o único que não faz fronteira nem com a Espanha, nem com o mar. É um distrito bastante montanhoso e muito virado para a agricultura e agropecuária. A vinha é uma característica marcante, havendo vinhos licorosos, vinhos verdes e vinhos maduros, sendo especialmente conhecidos o vinho do Dão e o vinho do Douro. As Instituições de Ensino Superior presentes no distrito, muito têm contribuído também para desenvolver, captar e fixar novos habitantes.
Como em grande parte dos casos, a evolução e desenvolvimento faz-se por via da comunicação e interacção entre os povos. Viseu não foi diferente! A 3 de Agosto de 1882 é inaugurada a Linha da Beira Alta, uma linha de via larga, originalmente entre Vilar Formoso e a Figueira da Foz, com enumeras estações e apeadeiros, foi durante todo o século XX a grande via de acesso à Europa. Em volta desta linha instalaram-se fábricas e grande indústria, devido ao escoamento do produto ser garantido pela linha, potenciando ao mesmo tempo emprego e a fixação da população. Uma grande referência dos nossos tempos é a Citroen, na cidade de Mangualde!
A Linha do Dão, das primeiras linhas de bitola estreita em Portugal, foi inaugurada a 25 de Novembro de 1890 e ligava a Linha da Beira Alta, a partir de Santa Comba Dão, passava por Tondela e terminava em Viseu; em 1972 é suspenso o transporte de mercadorias e em 1988 a linha é totalmente encerrada.
A Linha do Vouga foi inaugurada a 1911 e ligava a Linha do Norte, em Espinho, à Linha do Dão, em Viseu; em Janeiro de 1990 é encerrada a linha. Com o “cair” da Linha do Dão e da Linha do Vouga, foi notória a deslocalização de alguma indústria de transformação, nomeadamente das madeiras entre outras.
A construção do IP3, entre 1991 e 1995, que liga Viseu a Coimbra e à A1 (auto-estrada do litoral), fez com que se desenvolvessem e fixassem empresas, nomeadamente em Mortágua, Santa Comba Dão, Tondela, e Viseu. O IP3 conjuntamente com a respectiva ligação pelo IC12 tem vindo a contribuir para o desenvolvimento / evolução empresarial e respectiva alavancagem dos concelhos de Carregal do Sal, Nelas e Mangualde.
Nos inícios de 1990 o IP5 estava totalmente construído e a ligar Vilar Formoso a Aveiro; a presente via-rápida seria um grande progresso, no entanto vir-se ia a concluir que a mesma estava esgotada desde o inicio. Iniciam-se em 2001 as obras de reconversão do antigo IP5 em auto-estrada, a actual A25, que ficou totalmente pronta em Setembro de 2006 (a A25 foi construída, a sua grande maioria, sobre o antigo IP5). Assim reduziu-se o tempo do trajecto para cerca de metade, ao mesmo tempo que se diminuiu significativamente a sinistralidade. Esta passa a ser a via de excelência de comunicação do distrito de Viseu com o litoral e de acesso à Europa. Esta auto-estrada é nomeadamente importante, para o desenvolvimento de Mangualde, Viseu, Nelas, S. Pedro do Sul, Oliveira de Frades, Vouzela e Tondela.
Em finais de 2007 concluíram-se as obras de construção da A24, a qual liga Viseu ao interior norte do país. Verificou-se uma melhoria e desenvolvimento significativo em Viseu, S. Pedro do Sul, Castro Daire, Cinfães, Resende, Lamego, Tarouca, Armamar, S. João da Pesqueira e Tabuaço.
Para o desenvolvimento do “interior” devem ser estudados os aero-transportes de pequeno curso dentro da Península Ibérica. Os aero-transportes deverão fazer a comunicação entre as principais cidades/capitais de distrito, transportando turistas, mas sobretudo empresários e alguma pequena mercadoria.
O continuo desenvolvimento do dito “interior” passa por duas soluções conjuntas, descriminação positiva e questões culturais.
A descriminação positiva está claramente subjacente ao estado, com impostos diferenciados (mais leves para o interior) e forte investimento nas vias de comunicação e na “coisa” pública, apesar de o investimento per capita poder ser superior nesta zona do país ao contrário do restante (não permitir a discriminação positiva nas SCUT’s do interior, será um erro que se irá pagar não nos próximos 20 anos, mas antes nos próximos 200 anos).
As questões culturais passam por um necessário reconhecimento que Salamanca, Madrid, Paris, Istambul, entre tantas outras cidades de referência por toda a Europa, se encontram a mais de 500 quilómetros do litoral (coisa que em Portugal isso não acontece). Se é verdade que o litoral tem mais valias que o interior não tem, o inverso também o é!
No interior, nomeadamente no distrito de Viseu, certo é que muito à para crescer e muitas são as diferenças com o litoral; mas também é verdade que somos únicos em recursos naturais, em floresta, em água, na produção da matéria prima do papel, o distrito de Viseu é o maior produtor de energias renováveis e até na construção dos componentes somos já auto-suficientes. É preciso é dizer não à resiliência e afirmarmo-nos potenciando e maximizando os nossos recursos, as nossas qualidades!